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August 13th, 2008
Cachorro, pudim, cartão de crédito internacional: o homem de pijama se achava sábio, mas ainda não havia atingido a perfeição de uma árvore.
- Qual é o comportamento correto?
- Qualquer suco de fruta pode ser doce, se você quiser…
- …
- …
- Bah! Quanta asneira!
- É verdade… e apesar disso o silêncio continua sendo a base de tudo, monge. Se você não se propõe a entendê-lo até no meio do maior barulho, o que pretende encontrar?
…
Estamos todos errados e temos apenas um todo-abrangente e amável vazio para contar com… Tão bom.
Life is always true indeed.
lanusse |
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July 22nd, 2008
Ao acordar, durmo. Ao dormir, acordo: não há outro tempo e não há porquês. Quando a gente se descobre um, o resto é só encenação.
- Eu queria te perguntar sobre a vida, darling, como sempre fiz… mas hoje em dia, essa pergunta não nasce mais.
- …
- Exatamente.
Pausa. Movimento. Silêncio. Som.
Todas as palavras são mentiras. Todas as mentiras são palavras.
lanusse |
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June 17th, 2008
Quando tinha onze anos ela pensava que, quando tudo melhorasse, todas as tardes iriam ser folheadas de outono e as manhãs cheias de improvisação.
As perguntas e respostas nasceriam juntas - como sempre fizeram e ela nunca percebera - e o prestar atenção no que é verdadeiro ia ser categórico, porém doce.
A beleza nem tudo conta… and it’s all very simple indeed.
Tudo é dharma, nada é dharma. Just don’t move away from the real buddha you already are: o tempo é precioso, e os outros também - mesmo que não passem de suaves e melódicas perspectivas.
lanusse |
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June 4th, 2008
Aprendizado. Aperfeiçoamento. Evolução. Nós e nossas histórias, em todas as idades.
- O que você vê, monge?
- Uma parede amarela.
- Hahahaha! Sem mentiras, o que você vê, monge?
- Eu já disse, uma parede amarela…
- Hahahaha!
…
Sim, naquele dia. Não, amanhã de manhã. Ou ainda talvez.
Quem disse que o mundo se mantém ali depois que fechamos os olhos?
Jura?
lanusse |
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May 27th, 2008
Eu decidi te amar.
Sem arrodeios.
Isso te apetece?
Se sim, então decides se queres conhecer um amor que vai te levar além do corpo, além das idéias juvenis dos romances intelectualizados e além desse limitado estreitismo covarde chamado erroneamente de amor que tanto conhecemos por aí…
Um amor de verdadeira felicidade.
E tudo que precisas fazer é apenas querer. Querer verdadeiramente. Querer mais do que qualquer outra coisa, mais do que um corpo, mais do que uma idéia, um desejo, um sonho, mais do que tudo que conheças ou aches que vais conhecer um dia.
Pois nesse amor que te ofereço não existem “meus”, nem histórias, nem vontades, nem eu, nem você… pois aí já não queremos duas coisas, mas uma só: o amor como ele é, natural e sem expectativas.
Mas para isso terás que confiar em mim.
Tu precisas se dar completamente a mim.
Entregar-se completamente, sem objetivos e sem esperanças pré-concebidas.
Uma entrega sem reservas, sem medo, numa total confiança nunca antes ousada… completa, como se a tua própria vida não tivesse a mínima importância.
E isso, simplesmente porque tens a necessidade de descobrir o que está por trás de todas as mentiras e máscaras, e porque acreditas que o mais importante na vida de qualquer pessoa - tu, eu, o mundo e toda a gente - é amar verdadeiramente, mais e sempre, e dessa maneira ser amado, ser amada.
A verdadeira e única felicidade na vida depende disso. Depende de podermos ser capazes de nos encontrar, cara-a-cara, sem resistências, e sermos eu e você, nem eu, nem você…
lanusse |
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May 21st, 2008
Quando a gente se conheceu era um sábado de novembro. Mas nem sábados, nem novembros realmente existem, não é mesmo? Olha que engraçado…
Deve ser o medo de nós mesmos que nos faz querer estar tão certos de tantas incertezas vida afora.
O segredo está sempre no lugar mais óbvio.
…
Let’s get lost, lost in each other’s arms (…) and tell the world we’re in that crazy mood.
Porque é sempre bom parar, eu acho. E saber que a felicidade pode ser uma curva na esquina ou não: verdadeiros amores não se encontram um dia, eles estão um no outro desde sempre.
lanusse |
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May 7th, 2008
Nem sempre é fácil, mas também nem sempre é difícil. A parte boa é que nem sempre.
Montanha rodeada de um espaço infinito:
- Você deveria acordar e ser feliz. Esquecer essa problemática toda…
- Todo mundo deveria.
Pra esquecer: passarinhos açucarados espalham pólen branco quando batem as asas… e não há nada de errado ou sagrado nisso.
lanusse |
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April 25th, 2008
Talvez naquele dia. Ou ainda amanhã. Ou nunca não.
Pois já que é fato que o vento nada tem a ver com isso, festejemos: beijos e abraços verdadeiros sempre foram expressões do coração, não da razão.
…
O grande obstáculo é que não existe obstáculo.
O grande osbcurecimento é que não existe obscurecimento.
A grande dificuldade é que não existe dificuldade.
…
Um coração aberto como o céu recebe igualmente o sol e a lua. E os dois fazem cócegas quando chegam na barriga.
lanusse |
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April 9th, 2008
A mente vaga aqui e acolá, mas a verdade se mantém sempre no mesmo lugar: em casa, nem dentro, nem fora.
- Você é tão bela que me doem os artelhos, Rita…
- Massagem?
- Interior…
Brisa.
Uma flor de lótus não pára quieta quando ouve uma boa piada.
lanusse |
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March 26th, 2008
Não. Você não pode colocar um nome, uma tradição ou até uma definição sobre o que é essencialmente real e verdadeiro. Presta atenção. Qualquer tentativa é, em si, um sonho, um erro, uma laranja pintada.
- Todo começo e fim é sem começo e fim: rest to be.
E a vida é ainda mais bela quando a gente descobre que não há ninguém a quem recorrer - descobrir-se abrangentemente sozinho é a primeira constatação de amadurecimento que vale a pena. A segunda, é que não existe solidão verdadeira, nem mesmo na solidão como a conhecemos…
…
- Você está tão calado hoje…
- É que eu queria muito correr atrás da última segunda-feira… mas se eu correr, eu não vou alcançar nunca.
lanusse |
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March 19th, 2008
É isso, Isabel. Esquece. Solta no chão, deixa quebrar e se inspira com o barulho engraçado e libertador de cacos voando.
No Big Bang foi assim, e se você prestar atenção, vai ver que estamos sentindo, até hoje, as cócegas dessa explosão que não acaba nunca.
…
Então, para começar, esquece as palavras. E as imagens, as interpretações, as opiniões.
No fundo, não é difícil. Largar o que se tem é uma das coisas mais fáceis que existem…
Fica com o que sobrar e levanta para saborear o mundo.
Porque você é tão mundo quanto todo o resto. Tão mundo quanto aquela folha voando confiante ali do lado, ou esse movimento independente que acontece nos teus pulmões neste exato momento: Big Bang Isabel.
…
Para finalizar, esquece também o mundo.
Ele não precisa de você.
…
Let it all drop, my love.
…
Veja com o coração e veja bem… pois como certo disse Seu Machado: a melhor definição de amor não vale um beijo.
lanusse |
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March 15th, 2008
Caracteres tibetanos encravados em ouro sobre dentes puídos. Ela é assim. Pele de luz encarnada, a exalar a raiva cristalina dos tempos sem fim nem começo, essência da mais pura paz.
Dois compassos e um chacoalhar agudo reverberando a corrente dos ossos:
- Não! Nada a ser alcançado e nenhum lugar a chegar. Numa mente sem lados, só existe alívio.
…
Olhai os lírios do campo - ela sussura enfim. Pois nunca é o que você faz ou quer… é o que deixa de fazer e de querer que realmente importa.
lanusse |
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February 26th, 2008
Mariana ama, chora e procura um problema fora dela. Talvez ache que o mundo é uma coisa grande, estranha, bem diferente de tudo que vê e conhece desde pequena.
Tempo para ouvir baixinho. E na pausa da chuva, uma deidade tântrica dourada e azul acende a fogueira e avisa que hoje ela não está pra peixe:
- A gente não consegue ver direito quando existe uma mente na frente.
- Isso eu venho te dizendo há milhões de anos…
- É, mas talvez só agora a ficha esteja finalmente caindo.
- Sei… e ela vai cair onde?
- …
Na vida a dor é inevitável, Mari… já o sofrimento, é opcional.
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February 7th, 2008
Uma maneira de ver pode conter várias outras, sir… perspectivas florescem em centenas everywhere.
Se você quer verdadeiramente encontrar o que procura, melhor um viver apurado, desses que desconhecem olhar para dentro ou para fora. É como eles dizem, suffused empty awareness e esse tal superior que você tanto procura pode estar mais perto do que você imagina. Nem um esforço a mais, nem um a menos.
- Right, mas eu ainda espero que dê certo…
Peixe grande, peixe-pequeno: expectativas são ressentimentos em construção.
lanusse |
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December 19th, 2007
Lado vem, lado vai.
Mas qual é a verdade última, monge? Ouve, que eu digo honestamente mais uma vez, mesmo sabendo que você não vai entender.
A mais pura e última verdade é a tua natureza. Ela não tem forma, não tem limite e não tem tempo. Não existe, não vai existir, nem nunca existiu outra coisa além dela. Ela sempre esteve aí, nunca foi embora e mesmo assim, você nunca a quis perceber e prefere estar perdido nas suas distrações e brincadeiras de karma por milhões de éons sem fim.
Todos os teus termos bonitos, tuas teorias, tuas concepções e até a tua procura por uma verdade última fazem parte dessas distrações que só te levam para longe da coisa mais próxima e verdadeira que você tem.
Não se pode encontrar a verdade, monge. A verdade não está em lugar nenhum que você resolva procurar. Você é um cachorro correndo atrás do próprio rabo.
- Mas…
- Lá vai você de novo.
- …
- Lá vai você de novo.
- …
- Au-au! Hahahaha!
lanusse |
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November 26th, 2007
E se você não se sentisse desconfortável com o desconforto? E se você descobrisse de qual substância o desconforto é feito, a ponto de entender intimamente que ele não é diferente em nada de todo o resto?
(…)
- Presta atenção, Marlene. Sou vou falar uma vez, depois disso eu sumo da tua vida e aí é com você.
- Tá, tá, prestando…
- Eles todos já disseram e eu assino embaixo: não há outro momento fora esse. Ele é em essência eterno, todo abrangente, sem começo, nem fim. É nele, só nele, e longe de todas as suas mentiras e intenções, que você vai descobrir do que é feito o tempo, o espaço, a vida, o prazer e a dor.
- Nesse momento? Mas eu não estou nele?
- Não…
- E eu estou onde?
- Presta atenção…
(…)
Wherever you go, you are.
lanusse |
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November 19th, 2007
Ao pé de uma árvore boddhi, uma segunda-feira amanhece sem receio.
- Um dia eu acordei e havia um buddha na janela. Ele era tão bonito, luminoso e me chamava pelo nome. Eu lhe dei vários socos e pontapés por meia hora, mas ele não reagiu. Então eu cortei sua garganta e o dei em pedaços para meu cachorro comer durante uma semana inteira. Foi a semana mais bonita da minha vida, monge. Desde então o mundo todo sorri pra mim. O azul se tornou apenas azul, o amarelo se tornou apenas amarelo.
- O chão é azul, o céu é amarelo.
- Hahahaha… isso, isso!
lanusse |
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November 6th, 2007
À sombra de um pé de jambo alegre, num dia de sol frio, a escrita na folha de samambaia azul parece um sonho:
- Eu organizo meus livros na estante pelo cheiro. Lavanda de um lado, café com leite do outro.
Faz muito bem.
lanusse |
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October 24th, 2007
Teu olho lanceiro não tem solução, Emília. Procurar por ela é perder o melhor da festa.
Tempo claro, chuva forte:
- Como a gente faz para estar sempre certo?
- Relaxa.
lanusse |
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October 17th, 2007
Foi assim que eu descobri: quem decide amanhecer não tem perdão. Vira palavra sem ação, espaço destemido na imensidão.
De que é feito o receio? De que se tem tanto medo, que até para sentir uma coisa boa no peito a gente se esconde?
Vê, não há um erro nesse mundo, mas há de se pesar o valor de tudo para que tudo possa realmente valer a pena.
lanusse |
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